Violência contra a mulher bate recorde e notificações sobem 250% em seis cidades da região
4 de novembro de 2026Os municípios de Brumado, Guanambi, Macaúbas, Livramento de Nossa Senhora, Caetité e Bom Jesus da Lapa somaram 276 atendimentos de violência contra mulheres registrados no Sinan em 2025. As informações são da Plataforma Crime Brasil disponibilizadas ao site Achei Sudoeste nesta sexta-feira (30). O número é o maior de toda a série histórica, superando os 169 casos de 2024 e os 79 de 2019. O salto representa uma expansão de cerca de 3,5 vezes (250% de aumento) em seis anos, superando o ritmo de crescimento observado no conjunto da Bahia, que subiu 2,4 vezes no mesmo período.
O raio-x das 629 notificações realizadas entre 2023 e 2025 revela a prevalência do ambiente familiar e das agressões recorrentes. Em 45% dos episódios, o crime ocorreu dentro de casa; em 32%, o autor foi o cônjuge, companheiro ou ex-parceiro; e em 30% das fichas, a violência era repetida. A violência física representou 81% das queixas registradas, a psicológica 27% e a sexual 12%. As mulheres negras responderam por 62% das vítimas assistidas, com maior concentração na faixa etária de 20 a 39 anos (47%).
As estatísticas de segurança pública e do Judiciário confirmam a gravidade da situação regional. De 2022 até o primeiro trimestre de 2026, nove feminicídios foram confirmados pela SSP-BA — sendo 4 em Guanambi, 2 em Macaúbas, 2 em Bom Jesus da Lapa e 1 em Caetité —, além de sete homicídios dolosos de mulheres computados desde 2024. Paralelamente, os fóruns locais instauraram 332 ações penais por violência doméstica, revelando realidades municipais distintas onde algumas cidades acumulam processos sem a devida triagem de saúde, enquanto outras avançaram no acolhimento clínico de vigilância.
O levantamento, elaborado pelo Crime Brasil com base em registros públicos oficiais, extraiu ocorrências do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan/Ministério da Saúde) de mulheres residentes no município, desconsiderando casos de lesão autoprovocada. A análise confronta ainda os microdados de crimes violentos da Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA).
Fonte:. Achei Sudoeste


